domingo, 20 de novembro de 2011


Por que você ama quem você ama?

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.
...

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!
Tem gente que acha careta, tem gente que acha um luxo. A verdade é que ninguém é indiferente a uma cerimônia de casamento realizada na igreja, com direito a tapete vermelho, marcha nupcial, véu e grinalda. A maioria das garotas sonha com esse momento, o de ser entregue ao noivo pelas mãos do pai e de vestido branco, mesmo que essa simbologia tenha perdido o significado. Os futuros cônjuges podem estar dividindo o mesmo teto há meses e até ter um filhinho, quem se importa? A verdade é que casamento na igreja é um rito de passagem, um momento de bênção e de satisfação à família, aos amigos e à sociedade. O amor pode prescindir desse ritual todo, mas um pouco de pompa e circunstância não faz mal a ninguém.

Já que o casal optou pelo sacramento do matrimônio e quer fazê-lo diante de Deus, o mais seguro é não inovar. Nada de entrar na igreja sob os acordes da trilha sonora do Titanic, casar de vermelho e decorar a igreja com cactus. Você não está numa passarela do Dolce & Gabanna, está na capelinha da sua paróquia: Mendelssohn, velas, copos-de-leite e uma boa Ave-Maria na saída, quer coisa mais chique e inatacável?

Se eu tivesse casado na igreja seria a mais convencional das noivas. Só uma coisa eu tentaria mudar, ainda que levasse um sonoro não: o sermão do padre. "Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até os fins dos seus dias?" Nossa, não é tempo demais? Bonito, mas dramático. Os noivos saem da igreja com uma argola de ouro no dedo e uma bola de chumbo nos pés. Seria mais alegre e romântico um discurso assim:

Ela: "Prometo nunca sair da cama sem antes dar bom-dia, deixar você ver os jogos de futebol na tevê sem reclamar, ter paciência para ouvir você falar dos problemas do escritório, ter arroz e feijão todo dia no cardápio, acompanhar você nas caminhadas matinais de sábado, deixá-lo em silêncio quando estiver de mau humor, dançar só pra você, fazer massagens quando você estiver cansado, rir das suas piadas, apoiá-lo nas suas decisões e tirar o batom antes ser beijada".

Ele: "Prometo deixar você sentar na janelinha do avião, emprestar aquele blusão que você adora, não reclamar quando você ficar quarenta minutos no telefone com uma amiga, provar a comida tailandesa que você preparou, abrir um champanhe no final de tarde de domingo, assistir junto o capítulo final da novela, ouvir seus argumentos, respeitar sua sensibilidade, não ter vergonha de chorar na sua frente, dividir vitórias e derrotas e passar todos os Natais do seu lado".

Sim, sim, sim!!!

sábado, 19 de novembro de 2011

É a primeira vez que me apaixono e sinto paz ao mesmo tempo. Ou encontrei a pessoa certa ou estou me tornando a mulher certa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Vou ver novela. Tá decidido. Novela pelo menos avisa “é a última semana!”. Homem some no auge da primeira."

Você tem o que eu procuro e eu sei disso sem nunca termos conversado de verdade. Você gostaria de mim, se me desse espaço para mostrar. Eu sei disso.
Taí. Tá bom. O amor venceu. Você venceu. Venceu. Venceu. Venceu. E eu acabo de descobrir, simples assim, a única maneira de me livrar desse sentimento: aceitando ele, parando de querer ganhar dele. Te amo mesmo, talvez pra sempre
No final do dia, a frase que eu temia. “Quer fazer alguma coisa amanhã?”. Eu sabia. Toda mulher feliz e equilibrada deixa saudades. Mas eu não queria.
Eu só queria amar alguém, com toda a tristeza e desequilíbrio que vem junto com isso, e continuar deixando saudades. Quando dizem que namoro ou casamento ou qualquer relacionamento mais sério não pode dar certo, eu discordo.
O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar. Agora, que graça tem fazer qualquer coisa da vida sem estar apaixonada? Ô vidinha filha da puta.
Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana.
Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo:
noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso.
Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu,
mas tô falando dos de "fabricação em série".
Tô fora de dançar os hits das rádios
e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala
tipo assim, gata, iradíssimo, tia.
Tinha me decidido a banir a palavra "balada" da minha vida e só sair de casa para jantar,
ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult,
desses que tem aberto aos montes em bequinhos charmosos.
Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas,
a boa música e um bom filme, sinto falta de um amor.
Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo,
as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de "tô no meu mundo, fique no seu".

Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar
"se são meus amigos, logo devem ter amigos interessantes".
Infelizmente, essas festinhas são cheias de casais
e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém
só porque os amigos estão todos acompanhados.
Tô fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.

Baladas playbas com garotas prontas para um casamento
e rapazes que exibem a chave do Audi, tô mais do que fora.
Baladas playbas com garotas praianas hippie-chique
que falam com voz entre o fresco e o nasalado
(elas misturam o desejo de ser meigas com o desejo de ser manos com o desejo de ser patos)
e rapazes garotos-propaganda Adidas com cabelinho playmobil, também tô fora.
MUNDO IDIOTA. O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar.
Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados,
bebem discutindo a melhor bunda da firma
e depois choram "tristeza não tem fim, felicidade sim"
no ombro do amigo têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha superdescolado
só porque tirou a gravata e porque fala tudo metade em inglês,
ao estilo "quero te levar pra casa, how does it sound?"
Para dançar, os muquifos eletrônicos alternativos são uma maravilha,
mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo,
não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo.

Tô procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra.
Minha mais recente descoberta são as baladinhas também alternativas de rock.
Gente mais velha, mais bacana, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana.
Gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana.
Na praia, quem é interessante além de se isolar acorda cedo,
aí fica aquela sensação (verdadeira)
de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas.

Orkut, MSN, chats.
me pergunto onde foi parar
a única coisa que realmente importa e é de verdade nesta vida:
a tal da química.
Mas então onde, meu Deus?
Onde vou encontrar gente interessante?
O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados,
minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê.
E eu?
Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim
e me sentindoo mais idiota de todos? Foi então que eu descobri.
Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora,
pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba,
com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio
ou continuar embaixo do edredom lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa.
Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é,
menor a chance de você vê-la andando por aí?

A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem vai pagar minhas contas e me querer cheia de olheiras? Então eu corro.

"Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é